Mulheres comandam três das maiores emergências do Rio de Janeiro – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

Paula Travassos é diretora do Hospital Municipal Souza Aguiar – Foto: Edu Kapps/SMS

Kamila, Paula e Sandra. No comando de três das maiores emergências da rede municipal de saúde do Rio, mulheres coordenam equipes numerosas e tomam decisões sob pressão, garantindo o funcionamento de um dos serviços de saúde mais importantes para a população carioca. À frente dos hospitais municipais Albert Schweitzer, em Realengo, Souza Aguiar, no Centro, e Salgado Filho, no Méier, as três diretoras simbolizam um avanço necessário: mulheres assumindo protagonismo em posições de liderança historicamente ocupadas por homens. Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio celebra as presenças femininas que transformam desafios diários em gestão eficiente, cuidado humanizado e compromisso com a vida.

Os três hospitais municipais concentram alta demanda assistencial e são referência nas áreas em que estão localizados. Paula Travassos é diretora do Hospital Souza Aguiar, no Centro, a maior emergência da América Latina, com mais de 2 mil funcionários. Em média, o hospital atende 500 pessoas por dia e realiza mais de mil cirurgias por mês. Para ela, lidar com esse desafio, que envolve sobretudo pessoas, é preciso ter sensibilidade, escuta ativa e equilibrar firmeza e empatia, capacidade de gestão e compromisso social.

– Liderar uma unidade desse porte vai muito além do conhecimento técnico. Em uma rede que funciona 24 horas por dia, com milhares de profissionais atendendo centenas de pessoas diariamente, a liderança precisa ser agregadora, comunicativa e estratégica. A liderança feminina traz, muitas vezes, uma visão colaborativa, um olhar atento ao cuidado e à construção coletiva de soluções. Não se trata de ocupar espaços apenas por representatividade, mas de transformar esses espaços com competência, responsabilidade e humanidade. A experiência como mulher me ensinou a liderar com equilíbrio entre razão e sensibilidade e me ajudou a desenvolver a capacidade de manter a calma, analisar o contexto de forma ampla e tomar decisões com responsabilidade, sem perder o olhar humano -, conta Paula.

Diretora do Hospital Municipal Albert Schweitzer desde 2022, Kamila Conde comanda uma unidade que realiza mais de 16 mil atendimentos por mês. Para ela, liderar uma emergência de grande porte vai além da técnica: exige sensibilidade e entendimento integral das partes, características que a sua experiência como mulher lhe traz. E, para assumir essa posição, salienta ela, é preciso coragem.

– A liderança feminina costuma ser mais relacional. Vejo nas mulheres uma tendência maior de aproximação, diálogo e construção coletiva. E no hospital, os conflitos em sua maioria envolvem pessoas, emoções, histórias e expectativas. Então ter essa capacidade de enxergar o todo, ter uma percepção holística, compreender as diferentes camadas de um problema e antecipar impactos é algo que considero um diferencial importante na minha forma de liderar. Mas é preciso coragem para ocupar espaços historicamente masculinos, para tomar decisões difíceis sob pressão, para sustentar posicionamentos técnicos e para atravessar momentos de instabilidade sem perder a direção -, relata Kamila.

Antes de se tornar diretora do Hospital Municipal Salgado Filho, em janeiro de 2025, Sandra Mello chefiou a equipe de emergência da unidade, inclusive durante a pandemia de covid-19. A doutora destaca esse momento como o mais desafiador da sua trajetória, sobretudo por ter lidado paralelamente com a perda da mãe por conta do vírus. Sua história no hospital começou ainda durante a formação acadêmica.

– O Salgado Filho é referência para Zona Norte do Rio, com alta demanda e grande complexidade assistencial. Assumir essa missão representa a consolidação da minha trajetória, que foi construída dentro do próprio hospital. O impacto direto que a gestão tem sobre a vida das pessoas é o que me motiva, é uma ferramenta de transformação social. Na emergência, onde decisões precisam ser rápidas e certeiras, a combinação entre racionalidade técnica e cuidado com as pessoas é determinante. E a vivência como chefe de emergência na pandemia de covid-19 foi o que moldou profundamente a minha forma de liderar. Conciliar maternidade, luto e liderança exigiu resiliência, equilíbrio emocional e propósito muito claro: sustentar minha equipe e garantir assistência de qualidade à população -, conta Sandra.

 

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  • 8 de março de 2026
  • Marcações: diretoras emergências médicas mulheres saúde