O prefeito do Rio, Eduardo Paes, participou na quarta-feira (14/01) do lançamento do livro “Rio, Capital do Brasil: Ensaios sobre a Capitalidade”, durante seminário realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo. O evento marcou a apresentação oficial da obra, que convida o público a refletir sobre a importância histórica, cultural e simbólica do Rio de Janeiro na formação do Brasil.
A publicação é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ) e faz parte das ações da Prefeitura voltadas à valorização da história, da memória e da identidade cultural da cidade.
– O livro escancara algo que todo carioca sente na pele: o Rio nunca foi uma cidade comum. Foram quase 200 anos de capital do Brasil, e isso não é apenas um dado histórico. Isso moldou a cidade, a política, a cultura e a própria ideia de Brasil -, destacou o Prefeito Eduardo Paes.
Organizado pelos professores Christian Lynch (Iesp-Uerj) e Elizeu Santiago de Sousa (AGCRJ), o livro reúne textos de pesquisadores reconhecidos nacionalmente. Entre os autores estão Antonio Edmilson Rodrigues (Uerj), Aspásia Camargo (UFRJ), Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ) e Marly Motta (FGV). Juntos, eles analisam o papel do Rio de Janeiro como capital do país ao longo do tempo, sob diferentes pontos de vista: político, cultural, urbano e internacional.
– Quando que uma cidade deixa de ser capital de um país? Esse é um status só jurídico? É um status político, cultural, internacional? Quais cidades no mundo foram ao mesmo tempo sede de Olimpíada, final de Copa do Mundo, Eco-92, G20 com mais de 130 eventos? Poucas cidades no mundo podem dizer que representaram tanto um país quanto o Rio de Janeiro -, reforça o secretário de Cultura, Lucas Padilha
Com 590 páginas, a obra percorre a história do Rio desde 1808, quando se tornou capital do Império Português, passando pelo Império do Brasil e pela República, até a transferência da capital para Brasília, em 1960. O livro também aborda a fusão com o antigo estado do Rio de Janeiro, em 1975, durante o período da ditadura militar.
Os autores destacam que, mesmo após deixar de ser capital oficialmente, o Rio de Janeiro manteve um papel central na vida nacional. A cidade segue como referência em áreas como cultura, saúde pública, produção de conhecimento, inovação e na realização de grandes eventos internacionais — da Conferência Rio-92 aos Jogos Olímpicos de 2016, passando pelo G20, em 2024, e pela Cúpula dos BRICS, prevista para 2025.
– Convidamos 20 grandes especialistas de várias instituições da cidade para repensar a história da capitalidade do Rio de Janeiro. São 18 textos, ou 18 capítulos, que fazem um passeio pela história: do período colonial, passando pelo Império, até os anos republicanos e chegando na contemporaneidade -, explicou Elizeu Santiago.
No prefácio do livro, o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, resume esse papel histórico da cidade: “Há duzentos anos, o Rio é a cara e a alma do Brasil. Da política às artes, aqui nasceram as nossas mais importantes utopias.”
O seminário que marcou o lançamento do livro reuniu pesquisadores, gestores culturais, estudantes e pessoas interessadas na história do Rio de Janeiro e do Brasil.