{"id":7728,"date":"2024-03-10T02:32:07","date_gmt":"2024-03-10T05:32:07","guid":{"rendered":"http:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/03\/10\/fapesp-combate-a-obesidade-vai-muito-alem-da-luta-individual-para-mudar-estilo-de-vida\/"},"modified":"2024-03-10T02:32:07","modified_gmt":"2024-03-10T05:32:07","slug":"fapesp-combate-a-obesidade-vai-muito-alem-da-luta-individual-para-mudar-estilo-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/03\/10\/fapesp-combate-a-obesidade-vai-muito-alem-da-luta-individual-para-mudar-estilo-de-vida\/","title":{"rendered":"Fapesp: combate \u00e0 obesidade vai muito al\u00e9m da luta individual para mudar estilo de vida"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/exercicio-saude.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5829567\" style=\"width: 100%;max-width: 773px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">O estudo elenca fatores como: ambiente f\u00edsico, exposi\u00e7\u00e3o alimentar, interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Rem\u00e9dios para o tratamento da obesidade, como o Ozempic, foram considerados os principais avan\u00e7os cient\u00edficos de 2023 pela revista\u00a0<em>Science<\/em>. No entanto, as taxas de sobrepeso v\u00eam crescendo em todo o mundo, com destaque para a Am\u00e9rica Latina. Estimativas de 2020 indicavam que 14% da popula\u00e7\u00e3o mundial vivia com obesidade. A previs\u00e3o \u00e9 que, em 2035, esse \u00edndice seja de\u00a024%, incluindo crian\u00e7as, adolescentes e adultos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante encontrar estrat\u00e9gias nutricionais e farmacol\u00f3gicas para mitigar o problema, mas ser\u00e1 que isso \u00e9 o suficiente? Sabemos que o impacto de fatores socioecon\u00f4micos e ambientais se sobrep\u00f5e\u00a0a quaisquer outros que influenciam a ocorr\u00eancia da obesidade, incluindo componentes gen\u00e9ticos ou tentativas de imputar ao indiv\u00edduo a culpa de ser obeso. O fato \u00e9 que a obesidade vai muito al\u00e9m da luta individual contra o sedentarismo e por mudan\u00e7as no estilo de vida\u201d, afirma\u00a0Marcelo Mori, integrante do\u00a0Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades\u00a0(OCRC) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da Fapesp sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>Mori \u00e9 um dos autores de um artigo publicado na segunda-feira (4) na revista <em>Nature Metabolism<\/em>, que aponta a necessidade das iniciativas destinadas a compreender a obesidade e envolverem abordagens multidisciplinares e globais. No trabalho, pesquisadores da Unicamp, Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Universidade Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico (Unam) elencam oito determinantes principais \u2013 ambiente f\u00edsico, exposi\u00e7\u00e3o alimentar, interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos, iniquidade social, limita\u00e7\u00e3o do acesso ao conhecimento cient\u00edfico, cultura, comportamento contextual e gen\u00e9tica \u2013 para explicar o crescimento da obesidade na Am\u00e9rica Latina e para orientar a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e estrat\u00e9gias p\u00fablicas mais eficazes.<\/p>\n<p>\u201cElencamos aspectos cujos efeitos no ganho de peso se sobrep\u00f5em, ressaltando a ideia de olhar para o problema com mais cuidado e de forma mais ampla, interferindo na quest\u00e3o a partir de solu\u00e7\u00f5es mais contextualizadas. S\u00e3o mudan\u00e7as no estilo de vida? S\u00e3o, mas elas precisam ser especialmente baseadas em altera\u00e7\u00f5es na comunidade e no ambiente, n\u00e3o atribuindo exclusivamente ao indiv\u00edduo tal obriga\u00e7\u00e3o\u201d, diz. \u201cH\u00e1 diferen\u00e7as regionais relacionadas com quest\u00f5es socioecon\u00f4micas e culturais que podem impactar na epidemia da obesidade e isso faz com que n\u00e3o exista uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para o problema\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<p>No trabalho, os pesquisadores destacam que, em d\u00e9cadas passadas, foram registradas taxas mais elevadas de obesidade em crian\u00e7as e adultos de pa\u00edses desenvolvidos em compara\u00e7\u00e3o com pa\u00edses em desenvolvimento. No entanto, ao comparar as tend\u00eancias mais recentes na preval\u00eancia da obesidade, os dados t\u00eam mostrado de forma consistente aumentos mais acentuados nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>De acordo com dados de pesquisas nacionais, uma grande propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o latino-americana tem sobrepeso ou obesidade: 75% dos adultos no M\u00e9xico, 74% no Chile, 68% na Argentina, 57% na Col\u00f4mbia e 55% no Brasil. Entre crian\u00e7as e adolescentes, as taxas de sobrepeso e obesidade tamb\u00e9m s\u00e3o altas: 53% (Chile), 41% (Argentina), 39% (M\u00e9xico), 30% (Brasil) e\u00a022% (Col\u00f4mbia).<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o aumento acentuado n\u00e3o pode ser explicado simplesmente por fatores gen\u00e9ticos ou escolhas individuais, mas sim por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores estruturais e de contexto, que no artigo os pesquisadores denominam como determinantes sist\u00eamicos.<\/p>\n<p>O artigo prop\u00f5e outra perspectiva para a problem\u00e1tica da obesidade na Am\u00e9rica Latina. Mori lembra que diversos estudos, principalmente em modelos animais, j\u00e1 demonstraram que tanto a car\u00eancia quanto o excesso de ingest\u00e3o alimentar pelos pais, sobretudo durante a gesta\u00e7\u00e3o, podem resultar em altera\u00e7\u00f5es na prole que predisp\u00f5em a doen\u00e7as metab\u00f3licas na fase adulta.<\/p>\n<p>\u201cOs pa\u00edses de renda m\u00e9dia e baixa, como \u00e9 o caso da maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, em menos de 50 anos sa\u00edram de uma realidade com altas taxas de desnutri\u00e7\u00e3o para um crescimento acelerado da obesidade. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel que essa r\u00e1pida transi\u00e7\u00e3o da car\u00eancia alimentar e desnutri\u00e7\u00e3o para a abund\u00e2ncia de alimentos ultraprocessados e hipercal\u00f3ricos seja um aspecto relevante na indu\u00e7\u00e3o de uma heran\u00e7a epigen\u00e9tica, contribuindo para as altas taxas recentes de obesidade, sobretudo em crian\u00e7as. \u00c9 algo que precisa ser mais investigado na obesidade humana\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Com isso, de acordo com os pesquisadores, ganham luz caminhos preventivos e terap\u00eauticos contra a obesidade que t\u00eam como base a\u00e7\u00f5es coletivas. \u201cUma solu\u00e7\u00e3o que indicamos no artigo \u00e9 o incentivo a pol\u00edticas que facilitem a alimenta\u00e7\u00e3o tradicional e regulem os alimentos ultraprocessados \u2013 que t\u00eam maior densidade cal\u00f3rica e s\u00e3o menos nutritivos. Isso deve estar associado a incentivos para a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos saud\u00e1veis e de alimenta\u00e7\u00e3o adequada nas escolas. Ainda, \u00e9 preciso motivar gestantes a adotar dieta de qualidade, ao aleitamento materno e a oferecer alimentos saud\u00e1veis desde a primeira inf\u00e2ncia. Propomos que o foco precisa ser nas mulheres e nas crian\u00e7as, que podem ser mais pass\u00edveis de mudan\u00e7as e entre as quais a obesidade mais cresce na Am\u00e9rica Latina\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outro aspecto destacado pelos pesquisadores \u00e9 o impacto do acesso limitado ao conhecimento cient\u00edfico como um dos determinantes da obesidade. \u201cAl\u00e9m de um maior acesso ao conhecimento cient\u00edfico e a quest\u00f5es relacionadas \u00e0 ci\u00eancia aberta, destacamos que o investimento e a quantidade de pesquisa sobre obesidade que se faz na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o muito pequenos proporcionalmente ao n\u00famero de pessoas com obesidade. Temos estudos relevantes aqui conduzidos, mas precisamos de mais e que sejam mais difundidos\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Mori, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Am\u00e9rica Latina na \u00e1rea de obesidade precisa ser mais representativa, sobretudo em estudos gen\u00e9ticos e sociais. \u201cA maior parte desses estudos \u00e9 feita em pa\u00edses do Norte Global. Enquanto for essa a realidade dos dados que dispomos sobre obesidade, vamos continuar tendo uma lacuna de conhecimento sobre como mitigar a obesidade na nossa regi\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cDessa forma, compramos dos pa\u00edses desenvolvidos tanto o problema quanto a potencial solu\u00e7\u00e3o. Porque, al\u00e9m de copiarmos h\u00e1bitos de vida e adquirirmos as f\u00f3rmulas propostas por esses pa\u00edses, n\u00f3s tamb\u00e9m pagamos por alimentos que nos colocam nessa situa\u00e7\u00e3o e por rem\u00e9dios que, por enquanto, atingem apenas uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o. Enfim, estamos pagando duas vezes e ainda perdendo a luta contra a epidemia da obesidade\u201d, o pesquisador conclui.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; O estudo elenca fatores como: ambiente f\u00edsico, exposi\u00e7\u00e3o alimentar, interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos Rem\u00e9dios para o tratamento da obesidade, como o Ozempic, foram considerados os principais avan\u00e7os cient\u00edficos de 2023 pela revista\u00a0Science. No entanto, as taxas de sobrepeso v\u00eam crescendo em todo o mundo, com destaque para a Am\u00e9rica Latina. 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