{"id":5704,"date":"2024-01-13T07:53:41","date_gmt":"2024-01-13T10:53:41","guid":{"rendered":"http:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/01\/13\/sp-estuda-nova-metodologia-para-crescimento-de-arvores-nativas-e-restauracao-florestal\/"},"modified":"2024-01-13T07:53:41","modified_gmt":"2024-01-13T10:53:41","slug":"sp-estuda-nova-metodologia-para-crescimento-de-arvores-nativas-e-restauracao-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/01\/13\/sp-estuda-nova-metodologia-para-crescimento-de-arvores-nativas-e-restauracao-florestal\/","title":{"rendered":"SP estuda nova metodologia para crescimento de \u00e1rvores nativas e restaura\u00e7\u00e3o florestal"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/crescimento-de-arvores.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5800977\" style=\"width: 100%;max-width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone caption-hide\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Estudo criou modelo que projeta o tempo de crescimento de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas da Mata Atl\u00e2ntica<\/figcaption><\/figure>\n<p>O tema da restaura\u00e7\u00e3o florestal tem ganhado destaque nos \u00faltimos anos tanto na iniciativa privada e no mercado financeiro como na academia e entre governos, principalmente no caso do Brasil, que assumiu o compromisso, desde o Acordo de Paris, em 2015, de recuperar com floresta nativa 12 milh\u00f5es de hectares, ou seja, praticamente o equivalente ao territ\u00f3rio da Coreia do Norte. No entanto, as iniciativas ainda dependem do caro processo de plantio de \u00e1rvores e padecem com a falta de dados sobre o crescimento das esp\u00e9cies e do total de \u00e1reas recuperadas.<\/p>\n<p>Pesquisa\u00a0publicada\u00a0na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Perspectives in Ecology and Conservation<\/em>\u00a0contribui com o avan\u00e7o do setor. Mostra que a aplica\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos silviculturais em projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal em larga escala pode aumentar a produtividade e a rentabilidade, viabilizando o abastecimento da ind\u00fastria madeireira e reduzindo a press\u00e3o sobre os biomas naturais, como a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Os cientistas conclu\u00edram que, para alcan\u00e7ar alta produtividade, as cadeias de valor da restaura\u00e7\u00e3o devem incorporar crit\u00e9rios espec\u00edficos envolvendo uma combina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas; modelos de crescimento das \u00e1rvores que permitam montar os planos de manejo e colheita com prazos mais curtos; bem como aliar o desenvolvimento de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o a tratamentos silviculturais.<\/p>\n<p>Liderado pelo engenheiro florestal Pedro Medrado Krainovic, o estudo criou um modelo que projeta o tempo de crescimento de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas da Mata Atl\u00e2ntica at\u00e9 que elas obtenham \u201cmaturidade\u201d necess\u00e1ria para atender \u00e0 ind\u00fastria madeireira. Normalmente, as taxas de crescimento para comercializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o definidas de acordo com o tempo que a \u00e1rvore leva at\u00e9 atingir 35 cent\u00edmetros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Com o novo m\u00e9todo, os pesquisadores obtiveram uma redu\u00e7\u00e3o de 25% no tempo de colheita e um aumento de 38% da \u00e1rea basal das \u00e1rvores. Isso representou uma antecipa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 13 anos na idade ideal do corte.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos os padr\u00f5es de produtividade versus tempo, o que fornece o indicativo de quando uma dada esp\u00e9cie pode ser manejada para obten\u00e7\u00e3o de madeira para o mercado. Isso ajuda a dar viabilidade \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o florestal em larga escala, melhorando sua atratividade para propriet\u00e1rios de terra e indo ao encontro dos acordos globais pr\u00f3-clima. Com base nos nossos dados, projetamos um cen\u00e1rio em que o conhecimento silvicultural estaria melhorado, proporcionando uma restaura\u00e7\u00e3o mais atrativa para as m\u00faltiplas partes interessadas\u201c, diz Krainovic, que desenvolveu o trabalho durante seu p\u00f3s-doutorado no Laborat\u00f3rio de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, vinculada \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP).<\/p>\n<p>O\u00a0projeto\u00a0foi conduzido no \u00e2mbito do\u00a0Programa BIOTA-FAPESP. Tamb\u00e9m recebeu apoio por meio de outros quatro projetos, entre eles o Tem\u00e1tico \u201cCompreendendo florestas restauradas para o benef\u00edcio das pessoas e da natureza \u2013 NewFor\u201c e as bolsas de estudo concedidas aos pesquisadores\u00a0Danilo Roberti de Almeida\u00a0(18\/21338-3),\u00a0Catherine Torres de Almeida\u00a0(20\/06734-0) e\u00a0Ang\u00e9lica Faria de Resende\u00a0(19\/24049-5), coautores do artigo.<\/p>\n<p>O trabalho foi supervisionado pelos pesquisadores\u00a0Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Restaura\u00e7\u00e3o Florestal (Lerf), e\u00a0Pedro Brancalion, vinculado ao Lastrop e ao projeto BIOTA S\u00edntese.<\/p>\n<p><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo tendo sido\u00a0eleita\u00a0pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 2022 como uma das dez refer\u00eancias mundiais em restaura\u00e7\u00e3o, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o bioma brasileiro que mais perdeu \u00e1rea florestal at\u00e9 hoje. Dos cerca de 140 milh\u00f5es de hectares no Brasil, restam 24% de cobertura florestal. Desse total, somente 12% correspondem a florestas bem conservadas (cerca de 16,3 milh\u00f5es de hectares), segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os esfor\u00e7os para conter o desmatamento v\u00eam conseguindo resultados positivos \u2013 queda de 42% entre janeiro e maio de 2023 em rela\u00e7\u00e3o a 2022 (de 12.166 hectares devastados para 7.088 hectares) \u2013, al\u00e9m de as a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o terem surtido efeito. Em 2021, a ONU estabeleceu at\u00e9 2030 a D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas, um apelo para a prote\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em todo o mundo, para o benef\u00edcio das pessoas e da natureza.<\/p>\n<p>\u201cA restaura\u00e7\u00e3o precisa ter mais dados que tragam horizontes favor\u00e1veis de uso do solo. Para uma pol\u00edtica p\u00fablica, \u00e9 preciso ter mais informa\u00e7\u00f5es que suportem as tomadas de decis\u00e3o. E esse artigo serve de v\u00e1rias formas, inclusive com uma lista de esp\u00e9cies que pode oferecer subs\u00eddios para o propriet\u00e1rio de terra. Abre uma porta para o enriquecimento de restaura\u00e7\u00e3o florestal com finalidade econ\u00f4mica, mais atrativa e atingindo m\u00faltiplos objetivos, como devolver servi\u00e7os ecossist\u00eamicos a determinadas \u00e1reas\u201d, explica Krainovic.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo devem alimentar o programa\u00a0Refloresta-SP, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Log\u00edstica do Estado, que tem, entre seus objetivos, a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e a implanta\u00e7\u00e3o de florestas multifuncionais e de sistemas agroflorestais.<\/p>\n<p>Krainovic morou por 12 anos na Amaz\u00f4nia e trabalhou n\u00e3o s\u00f3 em projetos de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas usando esp\u00e9cies arb\u00f3reas com potencial econ\u00f4mico como em cadeias produtivas de produtos florestais n\u00e3o madeireiros que abastecem a ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, como sementes, \u00f3leos essenciais e manteigas. \u201cUm diferencial da minha trajet\u00f3ria \u00e9 n\u00e3o ter ficado somente na academia. Conhe\u00e7o como s\u00e3o as empresas, a interface com os povos tradicionais nessas cadeias produtivas e a \u00e1rea acad\u00eamica\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Passo a passo<\/strong><\/p>\n<p>O estudo analisou uma cronossequ\u00eancia de 13 \u00e1reas de restaura\u00e7\u00e3o florestal n\u00e3o manejada distribu\u00eddas pelo Estado de S\u00e3o Paulo, que se encontravam em diferentes est\u00e1gios \u2013 entre seis e 96 anos de plantio. Essas regi\u00f5es t\u00eam uma mistura diversificada de esp\u00e9cies nativas \u2013 entre 30 e 100 \u2013, o que contribui para a promo\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s da floresta espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>Os cientistas escolheram dez esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas comerciais, com diferentes densidades de madeira e historicamente exploradas pelo mercado. S\u00e3o elas: guatambu (<em>Balfourodendron riedelianum<\/em>); jequitib\u00e1-rosa (<em>Cariniana legalis<\/em>); cedro-rosa (<em>Cedrela fissilis<\/em>); ararib\u00e1 (<em>Centrolobium tomentosum<\/em>); guarant\u00e3 (<em>Esenbeckia leiocarpa<\/em>); jatob\u00e1 (<em>Hymenaea courbaril<\/em>); ac\u00e1cia-amarela (<em>Peltophorum dubium<\/em>); ip\u00ea-roxo (<em>Handroanthus impetiginosus<\/em>); aroeira (<em>Astronium graveolens<\/em>) e pau-vermelho ou cabre\u00fava (<em>Myroxylon peruiferum<\/em>).<\/p>\n<p>Atualmente, a maioria dessas esp\u00e9cies \u00e9 protegida por lei e n\u00e3o pode ser vendida legalmente porque s\u00e3o end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica e do Cerrado e est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. No entanto, algumas, como jatob\u00e1 e ip\u00ea-roxo, ainda s\u00e3o exploradas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para cada uma delas foram desenvolvidos modelos de crescimento, com base nos dados coletados nos plantios. Com as curvas de crescimento foi aplicado o m\u00e9todo GOL (sigla em ingl\u00eas para Growth-Oriented Logging), para determina\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios t\u00e9cnicos de manejo, incluindo um cen\u00e1rio otimizado focado na produ\u00e7\u00e3o de madeira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s testes iniciais, os pesquisadores modelaram o crescimento do di\u00e2metro e da \u00e1rea basal de cada esp\u00e9cie selecionada ao longo da cronossequ\u00eancia. Foram constru\u00eddos cen\u00e1rios de produtividade usando os 30% maiores valores de di\u00e2metro encontrados para cada esp\u00e9cie por local e idade, o \u201ccen\u00e1rio otimizado\u201d, que representa a aplica\u00e7\u00e3o de tratos silviculturais, proporcionando maior produtividade.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies foram classificadas usando o tempo necess\u00e1rio para atingir os 35 cent\u00edmetros de di\u00e2metro para a colheita em tr\u00eas faixas: crescimento r\u00e1pido (menos de 50 anos), intermedi\u00e1rio (50-70 anos) e lento (maior que 70 anos). Ao aplicar a abordagem GOL, foram agrupadas em taxa de crescimento r\u00e1pida (menor que 25 anos); intermedi\u00e1ria (25-50 anos); lenta (50-75 anos) e superlenta (75-100 anos).<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio otimizado teve o tempo de colheita reduzido em 25%, representando uma antecipa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 13 anos na idade ideal de colheita.<\/p>\n<p>As exce\u00e7\u00f5es foram o jequitib\u00e1-rosa e o jatob\u00e1, que apresentaram seu per\u00edodo ideal de colheita prolongado, mas a \u00e1rea basal aumentou mais de 50%. Por outro lado, o cedro-rosa teve redu\u00e7\u00e3o de 36,6% na \u00e1rea basal de colheita (646,6 cm<sup>2<\/sup>\/\u00e1rvore), mas uma antecipa\u00e7\u00e3o de 47 anos em tempo de colheita (51% mais r\u00e1pido que o GOL).<\/p>\n<p>No total, nove das dez esp\u00e9cies atingiram di\u00e2metro de 35 cm antes dos 60 anos \u2013 a exce\u00e7\u00e3o foi o guarant\u00e3, com alta densidade de madeira.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Estudo criou modelo que projeta o tempo de crescimento de esp\u00e9cies arb\u00f3reas nativas da Mata Atl\u00e2ntica O tema da restaura\u00e7\u00e3o florestal tem ganhado destaque nos \u00faltimos anos tanto na iniciativa privada e no mercado financeiro como na academia e entre governos, principalmente no caso do Brasil, que assumiu o compromisso, desde o Acordo de &#8230; <a title=\"SP estuda nova metodologia para crescimento de \u00e1rvores nativas e restaura\u00e7\u00e3o florestal\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/01\/13\/sp-estuda-nova-metodologia-para-crescimento-de-arvores-nativas-e-restauracao-florestal\/\" aria-label=\"More on SP estuda nova metodologia para crescimento de \u00e1rvores nativas e restaura\u00e7\u00e3o florestal\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5704"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5704\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}