{"id":5382,"date":"2024-01-04T09:10:29","date_gmt":"2024-01-04T12:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/01\/04\/estudos-de-sp-usam-inteligencia-artificial-na-criacao-de-medicamentos-contra-malaria\/"},"modified":"2024-01-04T09:10:29","modified_gmt":"2024-01-04T12:10:29","slug":"estudos-de-sp-usam-inteligencia-artificial-na-criacao-de-medicamentos-contra-malaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/01\/04\/estudos-de-sp-usam-inteligencia-artificial-na-criacao-de-medicamentos-contra-malaria\/","title":{"rendered":"Estudos de SP usam intelig\u00eancia artificial na cria\u00e7\u00e3o de medicamentos contra mal\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tecido-fapesp.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio de intelig\u00eancia artificial (IA), pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) identificaram medicamentos j\u00e1 aprovados para o uso em humanos, ou em fase de estudo cl\u00ednico, que apresentam potencial a\u00e7\u00e3o contra o parasita da mal\u00e1ria.<\/p>\n<p>O alvo do trabalho divulgado na revista\u00a0ACS Omega\u00a0foi o\u00a0Plasmodium falciparum, esp\u00e9cie respons\u00e1vel pelos casos mais graves de mal\u00e1ria do pa\u00eds. Segundo os autores destacam no artigo, o uso de ferramentas computacionais pode facilitar a descoberta de f\u00e1rmacos contra o parasita, que tem capacidade de desenvolver resist\u00eancia rapidamente.<\/p>\n<p>A mal\u00e1ria \u00e9 um dos principais desafios de sa\u00fade p\u00fablica em regi\u00f5es tropicais e subtropicais, causando quase 250 milh\u00f5es de casos todos os anos no mundo. Na aus\u00eancia de uma vacina eficiente e definitiva contra a doen\u00e7a, o tratamento inclui uma combina\u00e7\u00e3o de medicamentos que agem em diferentes est\u00e1gios do ciclo de vida do\u00a0P. falciparum\u00a0para evitar a resist\u00eancia, que \u00e9 comum.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, \u00e9 urgente a necessidade de se identificar novos f\u00e1rmacos\u201d, destaca\u00a0Carolina Horta Andrade, coordenadora do estudo e pesquisadora l\u00edder do Laborat\u00f3rio de Planejamento de F\u00e1rmacos e Modelagem Molecular (LabMol) da UFG e colaboradora do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp.<\/p>\n<p>Com esse objetivo em mente, os cientistas utilizaram uma estrat\u00e9gia computacional para a busca e sele\u00e7\u00e3o de alvos e mol\u00e9culas. \u201c\u00c9 o que chamamos de reposicionamento de f\u00e1rmacos, ou seja, encontrar novos usos entre medicamentos que j\u00e1 s\u00e3o aprovados para o uso em humanos ou que est\u00e3o em est\u00e1gio cl\u00ednico de desenvolvimento\u201d, explica Horta.<\/p>\n<p>O primeiro passo do estudo, que contou com apoio da Fapesp, foi uma an\u00e1lise de transcriptoma (conjunto de mol\u00e9culas de RNA expressas pelos genes) do parasita em diferentes fases de seu ciclo de vida \u2013 assexuada no sangue, gamet\u00f3citos no f\u00edgado e sexuada no inseto vetor.<\/p>\n<p>O objetivo dessa etapa foi identificar genes codificadores de prote\u00ednas altamente expressos em mais de um est\u00e1gio. Foram encontrados 674 genes, dos quais 409 s\u00e3o considerados essenciais para a sobreviv\u00eancia do parasita, de acordo com dados do PlasmoDB, banco de dados biol\u00f3gico do g\u00eanero Plasmodium.<\/p>\n<p>Em seguida, os cientistas pesquisaram esses genes individualmente no reposit\u00f3rio\u00a0Therapeutic Target Database, encontrando 300 compostos bioativos associados a 147 deles.<\/p>\n<p>Os f\u00e1rmacos foram checados um a um com a ferramenta \u201cChemical Checker\u201d, que permite a busca por compostos semelhantes. Esse tipo de an\u00e1lise consiste em comparar as estruturas moleculares dos compostos e dos genes do parasita e descobrir se h\u00e1 compatibilidade.<\/p>\n<p>Chegou-se a 75 compostos conhecidos e 1.557 similares, totalizando 1.632 com potencial bioatividade \u2013 previstos como ativos e inativos por modelos de IA desenvolvidos anteriormente no LabMol. Dois foram selecionados \u2013 NVP_HSP990 e aglicona de silvestrol \u2013 e suas rea\u00e7\u00f5es foram avaliadas experimentalmente.<\/p>\n<p><strong>Testes<em>\u00a0in vitro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os dois compostos selecionados foram testados tanto em cepas de\u00a0P. falciparum 3D7\u00a0(linhagem sens\u00edvel \u00e0 cloroquina) quanto na cepa multirresistente Dd2. Ambos apresentaram potente atividade inibit\u00f3ria contra o parasita no est\u00e1gio sangu\u00edneo assexuado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a aglicona de silvestrol, que \u00e9 derivada de um produto natural, a \u00e1rvore tropical\u00a0Aglaia foveolata, exibiu baixa citotoxicidade em c\u00e9lulas de mam\u00edferos, potencial de bloqueio da transmiss\u00e3o e atividade inibit\u00f3ria compar\u00e1vel \u00e0 dos antimal\u00e1ricos estabelecidos. Agora deve ser testada em outros est\u00e1gios de vida do parasita.<\/p>\n<p>\u201cEsses f\u00e1rmacos, naturalmente, ainda precisam ser testados em modelos animais vivos\u00a0para que sua efic\u00e1cia e seguran\u00e7a sejam garantidas e, no futuro, fa\u00e7am parte de testes cl\u00ednicos em seres humanos\u201d, diz Horta. \u201cMas os resultados s\u00e3o bastante promissores no sentido de termos op\u00e7\u00f5es de compostos qu\u00edmicos que possam seguir adiante e mostram que o uso de ferramentas computacionais e de intelig\u00eancia artificial pode acelerar a descoberta de f\u00e1rmacos \u2013 especialmente para uma doen\u00e7a tropical negligenciada.\u201d<\/p>\n<p><strong>Potenciais aliados<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAgora com o uso de IA, o\u00a0<em>in silico<\/em> (simula\u00e7\u00e3o computacional) vem passando por um avan\u00e7o fant\u00e1stico, mas \u00e9 sempre importante lembrar que para a descoberta e valida\u00e7\u00e3o de novas mol\u00e9culas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o no entendimento de seu modo de a\u00e7\u00e3o no parasita e se elas podem facilmente gerar resist\u00eancia, algo que \u00e9 trabalhoso mas resolutivo\u201d, ressalta Fabio Trindade Maranh\u00e3o Costa, professor do IB-Unicamp e colaborador do estudo.<\/p>\n<p>Costa \u00e9 coordenador de outro artigo publicado na revista\u00a0<em>Antimicrobial Agents and Chemotherapy,<\/em> que tamb\u00e9m envolveu triagem virtual para identificar novos tratamentos contra a mal\u00e1ria. A ideia desse segundo trabalho foi utilizar simula\u00e7\u00f5es com modelos tridimensionais (3D) da estrutura da prote\u00edna para encontrar inibidores de prote\u00ednas-chave para a reprodu\u00e7\u00e3o do parasita em diferentes est\u00e1gios do ciclo de vida \u2013 as chamadas quinases.<\/p>\n<p>Os pesquisadores utilizaram um software para localizar compostos ativos com essa capacidade e os submeteram a testes\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0com as mesmas cepas do estudo anterior. A mol\u00e9cula de quinazolina (542) apresentou atividade potente contra est\u00e1gios sangu\u00edneos assexuados do parasita, com a vantagem de tamb\u00e9m ter alto \u00edndice de seletividade, ou seja, uma s\u00f3lida capacidade de combater a doen\u00e7a sem causar tantos danos ao organismo.<\/p>\n<p>Para confirmar o efeito inibidor, foram realizadas ainda an\u00e1lises de intera\u00e7\u00e3o qu\u00edmico-gen\u00e9tica em modelos de leveduras que expressam uma prote\u00edna do tipo quinase similar \u00e0 do parasita.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Com aux\u00edlio de intelig\u00eancia artificial (IA), pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) identificaram medicamentos j\u00e1 aprovados para o uso em humanos, ou em fase de estudo cl\u00ednico, que apresentam potencial a\u00e7\u00e3o contra o parasita da mal\u00e1ria. 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