{"id":18551,"date":"2024-11-17T15:29:22","date_gmt":"2024-11-17T18:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/11\/17\/centro-pop-da-capital-encaminha-pessoas-em-situacao-de-rua-para-cursos-e-empregos-e-muda-vidas\/"},"modified":"2024-11-17T15:29:22","modified_gmt":"2024-11-17T18:29:22","slug":"centro-pop-da-capital-encaminha-pessoas-em-situacao-de-rua-para-cursos-e-empregos-e-muda-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/superinteressantes.com.br\/index.php\/2024\/11\/17\/centro-pop-da-capital-encaminha-pessoas-em-situacao-de-rua-para-cursos-e-empregos-e-muda-vidas\/","title":{"rendered":"Centro Pop da Capital encaminha pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua para cursos e empregos e muda vidas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Ser invis\u00edvel. Quando crian\u00e7a, muitas vezes, sonhamos em ter esse \u2018poder\u2019. No entanto, se adultos nos tornamos invis\u00edveis, isso quer dizer que estamos totalmente exclu\u00eddos da sociedade e, muitas vezes, desacreditados at\u00e9 por n\u00f3s mesmos. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua est\u00e3o na lista desses seres sociais despercebidos pela maioria. Conjuntura que come\u00e7a a ser modificada quando eles colocam os p\u00e9s no Centro Pop, administrado pela Prefeitura de Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>O Centro Pop \u00e9 um dos bra\u00e7os da Coordena\u00e7\u00e3o da Prote\u00e7\u00e3o Social Especial de M\u00e9dia Complexidade da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc). Espa\u00e7o acolhedor, \u00e9 tamb\u00e9m endere\u00e7o certo para quem precisa de direcionamento na vida para alcan\u00e7ar o m\u00ednimo de dignidade, seja atrav\u00e9s do mundo concreto de um prato de comida ou o encaminhamento para um emprego; ou no mundo subjetivo, de um abra\u00e7o e um olhar sem julgamentos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO Centro Pop atende toda pessoa e fam\u00edlia em situa\u00e7\u00e3o de rua. A demanda \u00e9 espont\u00e2nea. Eles chegam atrav\u00e9s de indica\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes tamb\u00e9m vem encaminhado pela Defensoria P\u00fablica, do Escrit\u00f3rio Social, do Consult\u00f3rio na Rua, de alguns servi\u00e7os como o Ruartes, que \u00e9 o servi\u00e7o de abordagem tamb\u00e9m. Mas a maior parte \u00e9 a demanda espont\u00e2nea. Toda e qualquer pessoa em situa\u00e7\u00e3o de rua e vulnerabilidade social \u00e9 atendida aqui\u201d, explicou a coordenadora do Centro Pop, Maria do Amparo dos Santos.<\/p>\n<p>Ao cruzar o caminho do Centro Pop, as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua fazem um cadastro e voltam a existir. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o totalmente invis\u00edveis, pois passam a ser enxergadas por Amparo e mais uma gama de profissionais que os recebe. S\u00e3o assistente social, pedagoga, advogado, educadores sociais, cozinheira, auxiliar de servi\u00e7o, vigilante e uma pessoa no setor administrativo.<\/p>\n<p>Todos os dias s\u00e3o servidos no local cerca de 170 refei\u00e7\u00f5es. S\u00e3o pelos menos 70 pessoas que passam por l\u00e1 diariamente. H\u00e1 tamb\u00e9m dormit\u00f3rios e banheiros para que os atendidos repousem e possam fazer o asseio di\u00e1rio. \u00c9 que muitos deles j\u00e1 foram encaminhados para empregos e est\u00e3o aguardando um pouco mais de estabilidade para conseguir alugar um cantinho para viver e, finalmente, ter endere\u00e7o fixo. Antes disso, por\u00e9m, h\u00e1 burocracias necess\u00e1rias a serem solucionadas. Mas, disso, o pessoal do Centro Pop tamb\u00e9m cuida.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>\u201cQuase que 80% a 90% chegam aqui sem nenhum documento. A gente come\u00e7a o processo de retirada de documentos. Depois, encaminhamos para cursos ofertados por parceiros. O Tribunal Regional do Trabalho \u00e9 um desses parceiros, onde l\u00e1 tem o projeto Ruas que Falam\u201d, informou Amparo.<\/p>\n<p>Atualmente, os beneficiados est\u00e3o fazendo cursos de l\u00edngua portuguesa, inform\u00e1tica e teatro. Tamb\u00e9m est\u00e3o prestes a iniciar um curso de confeitaria. Todos chaves que podem abrir muitas portas para um recome\u00e7o.<\/p>\n<p>E, para al\u00e9m desses encaminhamentos, o sentir-se gente \u00e9 o que importa muito para eles, como descreveu um dos educadores sociais do Centro Pop, D\u00e1rio Batista de Macedo, considerado a porta de entrada do local. \u201cTem que ter sensibilidade, tratar o pr\u00f3ximo como gostaria de ser tratado e fazer o trabalho com amor. Se n\u00e3o existir amor, n\u00e3o tem como progredir. O que eu sinto neles \u00e9 a car\u00eancia do aperto de m\u00e3o, a escuta, um abra\u00e7o, conhecer a hist\u00f3ria deles. T\u00eam muitos traumas, perda de familiares, decep\u00e7\u00e3o amorosa, crise financeira e drogas. Alguns revelam ser homoafetivos, s\u00e3o expulsos de casa e v\u00e3o parar na rua, e a rua \u00e9 uma escola muito dura. Com esses cursos, esses encaminhamentos, eles voltam a sonhar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Viver nas ruas<\/strong> \u2013 A depend\u00eancia qu\u00edmica, o uso de drogas pesadas. Eis o grande vil\u00e3o na vida dos nossos dois personagens dessa hist\u00f3ria, os quais vamos chamar de Ana e Jo\u00e3o (nomes fict\u00edcios). E eles reconhecem. \u00c9 um vil\u00e3o criado por eles mesmos que os levou a se tornarem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Ambos tentam vencer o inimigo com o qual convivem h\u00e1 anos e o apoio encontrado no Centro Pop tem feito toda a diferen\u00e7a nessa caminhada.<\/p>\n<p>\u201cEu passei um dia e vi o Centro Pop. Perguntei a algumas pessoas o que era e vim parar aqui. Para mim, est\u00e1 sendo um lugar de refer\u00eancia muito bom.<\/p>\n<p>O Centro Pop me ofereceu essa oportunidade de entrar num curso de confeiteira. E tenho outro projeto agora, que \u00e9 o teatro. Minha vida est\u00e1 sendo muito boa aqui, talvez aqui eu esteja fazendo uma grande mudan\u00e7a. Eu destru\u00ed minha vida por causa das drogas h\u00e1 muitos anos. Mas, eu quero recome\u00e7ar, quero me libertar do v\u00edcio. N\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil arrumar emprego, porque tenho pouca escolaridade, mas se algu\u00e9m me der uma oportunidade, eu prometo me engajar e fazer o melhor de mim, e mostrar para as pessoas, para minha fam\u00edlia, a diferen\u00e7a na minha vida\u201d, desabafou Ana.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o tamb\u00e9m chegou \u00e0s ruas por conta da depend\u00eancia qu\u00edmica. Acolhido no Centro Pop, ele sonha em ter casa e fam\u00edlia, viver o refazimento com uma nova hist\u00f3ria e novos exemplos. \u201cSonho em andar nas ruas sem as pessoas olharem de cara feia para mim, de me olharem e verem um cidad\u00e3o de bem. Se eu pudesse voltar no tempo, nunca experimentaria drogas. Mas, agora eu quero come\u00e7ar de novo e fazer uma hist\u00f3ria diferente\u201d, concluiu.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Embora o consumo de drogas tenha sido o estopim para levar Ana e Jo\u00e3o a viver nas ruas, muitos s\u00e3o os fatores que culminam nessa realidade. \u201cO que mais pega \u00e9 a hist\u00f3ria dos conflitos familiares, da perda do v\u00ednculo, a perda do pai, da m\u00e3e, ficou \u00f3rf\u00e3o, e a\u00ed eles entendem que os irm\u00e3os mais velhos n\u00e3o t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de cuidar. E o uso abusivo tamb\u00e9m da droga \u00e9 uma coisa que as fam\u00edlias n\u00e3o aguentam mais e a\u00ed terminam abandonando. O fim dos matrim\u00f4nios \u00e9 uma coisa que a gente tem aqui contado, s\u00e3o muitos casos da desagrega\u00e7\u00e3o familiar, da perda do v\u00ednculo, s\u00e3o as coisas mais fortes\u201d, contou Amparo dos Santos, coordenadora do Centro Pop.<\/p>\n<p><strong>Pedras no caminho<\/strong> \u2013 Come\u00e7ar do zero. \u00c9 essa a expectativa de muitos dos que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua. Uma tarefa n\u00e3o t\u00e3o simples assim. Principalmente se as oportunidades n\u00e3o acontecerem. Na estrada dessas pessoas, grandes obst\u00e1culos s\u00e3o encontrados, o preconceito \u00e9 o maior de todos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTem muita gente frequentando o Centro Pop e est\u00e1 querendo mudar, mas o grande problema \u00e9 o preconceito para com a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de rua, tem um estigma, as pessoas rotulam logo. \u00c9 de rua, n\u00e3o presta. eles pensam. A gente precisa acreditar mais nas pessoas. Ficamos muito tristes quando eles chegam \u00e0 porta do emprego e o patr\u00e3o descobre que \u00e9 uma pessoa que vive em situa\u00e7\u00e3o de rua. A\u00ed o emprego n\u00e3o existe mais. Esquece tudo que aquele camarada \u00e9 capaz ou aquela mulher \u00e9 capaz de fazer em detrimento ao preconceito\u201d, lamentou a coordenadora do Centro Pop.<\/p>\n<p>Amparo dos Santos finaliza garantindo que uma oportunidade pode mudar tudo. Um exemplo que ela conta \u00e9 de um ex-frequentador do Centro Pop que hoje \u00e9 motorista de caminh\u00e3o e agradece a chance que teve na vida de se refazer. \u201cEle olhou pra mim e disse: obrigada por n\u00e3o desistir de mim. Eu fui preso roubando carros e hoje sou motorista, porque tive oportunidade\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente encaminha para os cursos, a gente est\u00e1 vendo uma possibilidade. A pessoa quer alguma coisa, foi estudar. A gente tem uma sala de aula aqui, tem pessoas j\u00e1 alfabetizadas tirando documento e assinando. Essa pessoa quer alguma coisa. Ent\u00e3o, eu diria para os empregadores que coloquem o caso em si. Acreditem neles, deem a oportunidade deles estagiarem, que a\u00ed v\u00e3o ver o resultado\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong> \u2013 O Centro POP funciona na Rua 13 de Maio, n\u00ba 508, Centro, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h \u00e0s 17h. Oferece trabalho t\u00e9cnico para a an\u00e1lise das demandas dos usu\u00e1rios, orienta\u00e7\u00e3o individual e em grupo, acompanhamentos e encaminhamentos a outros servi\u00e7os socioassistenciais (hospitais, maternidades, cart\u00f3rios, f\u00f3rum, Caps AD e Transtorno Mental, Cais, UBSs, Aux\u00edlio Brasil, Upas, Cras, Creas, TRE, TRT, MPU, Ceo, Sine, Minist\u00e9rio da Fazenda, Casa de Acolhidas, Cart\u00e3o do SUS) e para as demais pol\u00edticas p\u00fablicas que possam contribuir na constru\u00e7\u00e3o da autonomia e emancipa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser invis\u00edvel. Quando crian\u00e7a, muitas vezes, sonhamos em ter esse \u2018poder\u2019. No entanto, se adultos nos tornamos invis\u00edveis, isso quer dizer que estamos totalmente exclu\u00eddos da sociedade e, muitas vezes, desacreditados at\u00e9 por n\u00f3s mesmos. 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