Opressão a opositores: Prata na maratona, etíope protesta e diz: “Vão me matar quando voltar”

Eyisa Lilesa conquistou a prata na maratona da Olimpíada do Rio de Janeiro neste domingo . Em vez de celebrar, o etíope protestou. O gesto na chegada com os braços cruzados erguidos era uma forma de repudiar o governo do presidente Mulatu Tshome e do primeiro ministro Hailemariam Desalegn no seu país, que reprimiu violentamente manifestações. O medalhista teme por sua vida, mas repetiu o gesto no pódio e na entrevista coletiva ao explicar do que se tratava.

– Foi um sinal de apoio aos manifestantes que foram mortos pelo governo do meu país. Eles fazem o mesmo sinal lá. Eu queria mostrar que eu não estava de acordo com o que está acontecendo. Tenho parentes e amigos na prisão. O governo está matando o meu povo, o povo Oromo, gente sem recursos. Talvez me matem quando eu voltar. Se não, eles vão me colocar na prisão, se não vão me barrar no aeroporto e me forçar a deixar o país. Talvez eu mude de país. Não decidi – disse Lilesa, aplaudido por alguns jornalistas ao repetir o gesto de protesto.

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No início deste mês, dezenas de pessoas morreram em manifestações contra o governo etíope na região de Oromia. Os oromos vêm protestando há meses pelo que consideram uma perseguição injustificada por parte das autoridades etíopes e, até o momento, mais de 400 pessoas morreram desde o início das manifestações, segundo estimativas da organização Human Rights Watch (HRW).

– A Etiópia tem muitas etnias. Alguns foram privados de suas terras, mortos pelo governo. Defendemos os nossos direitos, nós queremos a paz, a democracia. Pelo meu povo, é importante falar sobre esse assunto. Há nove meses temos manifestações, e acho que mais de 1.000 mortes. É perigoso falar sobre isso, mas os países ocidentais apoiam esse governo. Por quê? – questionou o medalhista da Rio 2016.

 

Os protestos começaram no início de dezembro do ano passado, após a aprovação de um plano urbanístico para expandir a capital Adis-Abeba, o que poderia colocar em perigo as terras de cultivo dos oromo, um povo tradicionalmente agrícola e seminômade, mas o governo acabou desistindo e cancelou esse projeto.

As autoridades etíopes asseguraram em diversas ocasiões que os manifestantes têm “conexão direta” com grupos terroristas estrangeiros, em alusão à Frente de Libertação Oromo (OLF, na sigla em inglês), um movimento separatista que vem lutando há décadas pela independência da região de Oromia.

A lei Antiterrorista etíope permite o uso o uso ilimitado da força pelas autoridades contra os suspeitos de atos terroristas, incluindo a prisão preventiva de até quatro meses, que frequentemente é acompanhada de tortura.

 

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Hugo R Reis

Redator de sites como a Blasting News, F7News, Oimliega, 1News e no Superinteressantes. Contato: hugo@oimeliga.com.br

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